Mídia alemã diz que Temer dará 1,8 bilhões a deputados para se salvar de 2ª denúncia

domingo, outubro 22, 2017




Prestes a enfrentar mais uma votação na Câmara dos Deputados que vai definir o seu futuro, o presidente da República Michel Temer voltou a recorrer à mesma estratégia que usou em agosto para barrar a primeira denúncia criminal: usar a máquina federal. Com apenas 3% da população avaliando seu governo como bom ou ótimo, Michel Temer tenta repetir entre os deputados o desempenho da primeira votação. Na ocasião, 263 votaram a favor do Planalto, bem acima dos 172 necessários.

A nova "campanha" para garantir os votos e barrar a segunda denúncia inclui mais uma vez a distribuição de emendas parlamentares, oferta de cargos e concessão de agrados específicos para bancadas da Câmara dos Deputados, especialmente a ruralista. E mais uma vez as ações contrastam com o discurso de "sacrifício" que Temer evocou ao assumir o governo em 2016 e ocorrem semanas depois de o governo ter revisado a meta do déficit nas contas públicas deste ano de 139 para 159 bilhões de reais.

Nas semanas que precederam a votação da primeira denúncia, que ocorreu no início de agosto, emendas liberadas pelo governo e o anúncio de verbas para governos e prefeituras somaram 17 bilhões de reais. Nesta nova rodada, novas emendas e descontos fiscais pedidos pelos deputados podem adicionar mais 10 bilhões nessa conta.

Liberação de emendas

A principal arma de Michel Temer para garantir os 172 votos mínimos para barrar as novas acusações continua sendo a liberação de recursos de emendas parlamentares – valores que são usados pelos deputados em suas bases eleitorais. Após um agosto "magro", a liberação de emendas voltou a ficar aquecida em setembro, o mês da apresentação da segunda denúncia criminal. Apenas em setembro o total empenhado para deputados e bancadas estaduais chegou a 1 bilhão de reais, segundo a ONG Contas Abertas

Já nos primeiros 20 dias do mês de outubro mais 812 milhões de reais foram liberados. Parte desses valores foi anunciada justamente em algumas das datas marcantes da segunda denúncia. No dia em que as novas acusações foram apresentadas, 14 de setembro, 78 milhões de reais foram liberados. No dia 19 de setembro, quando o Supremo encaminhou a denúncia à Câmara, foram mais 55 milhões de reais.


Fonte: Deutsche Welle

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