Temer fortalece Maia com trocas no governo

segunda-feira, novembro 20, 2017

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente da República Michel Temer. (Foto: Adriano Machado/Reuters)



Novo ministro das Cidades é aliado do presidente da Câmara, que também quer articula mudanças no comando do BNDES e na Secretaria de Governo



As mudanças no primeiro escalão que o presidente da República Michel Temer (PMDB) vai anunciar nos próximos dias irão fortalecer o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Democratas/RJ). Além de decidir entregar o Ministério das Cidades a um aliado de Maia, o governo já prepara a troca do comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados. Temer quer manter uma boa relação com Maia em razão da posição estratégica do deputado. Como presidente da Câmara, ele é responsável pelo cronograma de votação do plenário, o que inclui a reforma da Previdência e as medidas fiscais já enviadas pelo governo. 

O presidente também precisa de Maia para votar os ajustes na reforma trabalhista propostos em medida provisória, o que contrariou o deputado, que defendia mudanças apenas por projeto de lei. Ontem, Temer foi à casa de Maia para um almoço do qual participou o deputado Alexandre Baldy (sem partido-GO). Um dos principais aliados de Maia, Baldy foi escolhido para substituir Bruno Araújo (PSDB/PE), que entregou o cargo de ministro das Cidades no rastro da crise entre o governo e a cúpula tucana. Parlamentares da base aliada e integrantes do núcleo político do presidente também participaram do encontro, que se estendeu por toda a tarde.

Segundo um ministro próximo de Temer, o peemedebista deve indicar um nome que tenha aval de Maia para comandar o BNDES, maior fonte de financiamento hoje no país. O atual titular do BNDES, Paulo Rabello de Castro, é alvo de pressão por parte de líderes da base governista. As críticas aumentaram após ele ter sido lançado pelo PSC como pré-candidato à Presidência, durante convenção do partido em Salvador (BA), anteontem. O argumento é de que Rabello de Castro não pode continuar no cargo sendo pré-candidato. "Ele deve sair para cuidar só da candidatura dele agora", disse o líder do PR na Câmara dos Deputados, José Rocha (BA). "O Paulo Rabello não pode falar e fazer determinadas coisas na presidência do BNDES e continuar no governo. Por mim, ele já estaria fora", afirmou o vice-líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM).

Temer, porém, ainda não bateu martelo sobre o nome do novo comandante do BNDES. Amigo do presidente, Rabello de Castro assumiu o BNDES em junho, após a saída de Maria Silvia Bastos Marques. A nomeação, contudo, nunca teve a simpatia de Maia. O presidente da Câmara não gostou de não ter sido consultado pelo governo sobre a escolha. Na época, ele defendia o nome de Luciano Snel, da Icatu Seguros, para o posto. Rabello de Castro vem sendo alvo de “fogo amigo” desde que assumiu o cargo, por bater de frente com o governo em algumas situações. A principal delas, a antecipação de pagamento ao Tesouro Nacional de empréstimos feitos ao banco de fomento.

'Diarista'

Em sua defesa, o economista afirmou que a cobrança por sua saída "perdeu o objeto", pois não é candidato. Ele disse ter se filiado ao PSC para contribuir com uma "agenda para o debate nacional", mas não descartou se candidatar. "Sou candidato a continuar meu trabalho. No futuro, se o Brasil insistir e se o presidente Temer insistir, posso ter outra missão para cumprir no aspecto político".

Em entrevista durante a convenção partidária, no sábado, o presidente do BNDES afirmou que só se considerará candidato após a convenção do partido. "Meu cargo pertence ao ministro do Planejamento e, por sua vez, é um cargo do presidente. Brinco que sou um presidente diarista", declarou.


Fonte: Estadão Conteúdo

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