Procurador do MPF cita 'tropa de choque' de Lula e critica 'tentativa de tornar julgamento político' durante leitura do parecer

quarta-feira, janeiro 24, 2018

"Lamentavelmente, Lula se corrompeu", diz procurador

Procurador rejeitou alegações dos advogados de defesa dos réus, e ressaltou que há provas sobre a propriedade do triplex.



O procurador do Ministério Público Federal - MPF Maurício Gotardo Gerum (foto) criticou o que chamou de "tropa de choque" em sua sustentação durante o julgamento do recurso do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, realizado no TRF4 - Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, nesta quarta-feira (24/01). "São as tropas de choque que se formam no parlamento como instrumento de supressão do diálogo e imposição e imposição da força como instrumento de decisão. (...) Tropa de choque, com atuação nos mais diversos espectros, foi criada para garantir a perpetuação de um projeto político pessoal, que não admite outra solução nesse processo que não seja a absolvição", disse.

"O processo judicial não é um processo parlamentar. A técnica caracteriza a decisão judicial é incompatível com a pressão popular. A truculência dessa tropa de choque oficial está muito próxima de se configurar o crime de coação no curso do processo", acrescentou o procurador, que rejeitou os argumentos das defesas no recurso que é julgado no TRF-4. Ao rejeitar as alegações das defesa, "entende o ministério público federal que nenhuma delas deva ser acolhidas", Gerum disse que merecia discussão apenas a questão probatória, citando que em abril de 2005 Marisa Letícia, falecida esposa de Lula, adquiriu junto à Bancoop um apartamento. "Os documentos apreendidos em momento algum falam em cotas. Sempre em imóvel", disse 

Gerum, relatando documentos apreendidos na casa do ex-presidente Lula e também na Bancoop, responsável pelo empreendimento. Ele citou ainda o relacionamento de Lula com o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, réu no mesmo processo, no episódio no qual o executivo mostrou o apartamento à família de Lula em 2014. "Dessa vez, apenas Marisa Leticia e o filho do casal, Fabio, são acompanhados pelo presidente da OAS. A partir da primeira visita, diversas reformas são feitas. Uma cozinha instalada e alguns eletrodomésticos adquiridos num valor que se aproximou de R$ 1,2 milhão. Quanto a esse encontro e a customização do apartamento não há dúvida probatória... inúmeras notas fiscais, depoimentos de funcionários envolvidos com as reformas e mensagens trocadas nos celulares dos executivos da OAS demonstram que o imóvel estava sendo preparado pela OAS para a família do ex-presidente Lula", detalhou o procurador.

Ainda segundo ele, a defesa não conseguiu apresentar argumentos que afastassem as provas presentes nos autos, e disse que o depoimento do ex-presidente da OAS apenas deu detalhes acerca do que havia sido comprovado. "Como nós vimos, a prova já era suficientemente robusta a permitir que se concluísse pela prática da corrupção. As declarações de Léo Pinheiro apenas vieram a trazer os detalhes, as minúcias que somente os envolvidos na prática criminosa, somente quem viveu os fatos poderia fornecer", disse.

Fonte: G1

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