Esquizofrenia eleitoral: quando a polarização política provoca violência

terça-feira, outubro 23, 2018



Facas e canivetes estão entre os maiores personagens das eleições brasileiras de 2018. No dia 06 de setembro, o candidato à presidência Jair Messias Bolsonaro (PSL) foi atingido por uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Horas depois do encerramento da votação do primeiro turno, na madrugada de 08 outubro, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, eleitor do PT, recebeu 12 facadas nas costas e perdeu a vida depois de discussão sobre política em Salvador (BA) — o assassino nega que a motivação tenha sido política. 

Horas depois, em Porto Alegre (RS), uma jovem de 19 anos foi supostamente atacada por homens que usaram canivetes para marcar sua barriga com uma suástica — ela não seguirá com a ação. No sábado (20/10), em comício do PT realizado na Praça do Ferreira em Fortaleza, um vendedor de livros Valdemir que estava vestido com a camisa do candidato Jair Messias Bolsonaro, foi agredido a pauladas e teve hemorragia interna e morreu. Além dos desentendimentos sobre política, os ataques contra minorias parecem ter aumentado. A Organização das Nações Unidas (ONU Brasil) se manifestou sobre o assunto. 

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, declarou por meio de nota: "O discurso violento e inflamado durante essas eleições, particularmente contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e pessoas com diferentes visões políticas, é profundamente preocupante". Por sua vez, Raquel Dodge, procuradora-geral da República, editou instrução aos procuradores regionais eleitorais a fim de combater episódios de ódio e de notícias falsas. Nas redes sociais, a virulência dos debates sobre política está disseminada. E a agressividade saltou do ambiente virtual e chegou às ruas. É possível que a polarização provocada por disputas ideológicas esteja provocando uma situação de violência generalizada?

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